Luna — “RaT@”
História
Antes da Noite, Luna se chamava Bela Ferreira. Mas muito antes de abandonar esse nome, já existia outra identidade que dizia mais sobre ela do que qualquer documento: RaT@.
Bela cresceu fascinada por computadores, fantasia, filmes, informações escondidas e tudo aquilo que parecia possuir uma porta que alguém havia decidido manter fechada. Enquanto outras pessoas aprendiam simplesmente a navegar pela internet, RaT@ aprendia a procurar suas rachaduras.
Fóruns esquecidos, arquivos abandonados, servidores mal configurados e rastros digitais tornaram-se seu território. Ela não queria apenas encontrar informações. Queria descobrir quem havia tentado escondê-las, por quê e quem ganhava quando a verdade permanecia enterrada.
Então seu próprio corpo se tornou um problema que nenhum computador poderia resolver. Bela foi diagnosticada com uma forma agressiva de leucemia. Enquanto tratamentos, dívidas e prognósticos consumiam sua família, RaT@ reagiu da única maneira que conhecia: começou a investigar.
Essa busca a levou até Condor, um misterioso especialista em informação que parecia sempre estar vários passos à sua frente. O que começou como curiosidade tornou-se aprendizado. Condor passou a testar, ensinar e orientar Bela, transformando uma hacker talentosa em alguém capaz de enxergar sistemas não apenas como máquinas, mas como estruturas construídas por pessoas — e, portanto, cheias de falhas.
A doença, entretanto, continuou avançando. Quando todas as alternativas humanas finalmente acabaram, Condor apresentou uma última escolha. Não era uma cura. Bela Ferreira teria que morrer para que alguma parte dela pudesse continuar existindo.
Bela aceitou. Naquela noite, a doença morreu com ela. RaT@ não.
O que surgiu depois recebeu o nome de Luna. Como Nosferatu, ela encontrou um mundo que valorizava exatamente aquilo que sempre havia perseguido: informação, segredos, acessos e verdades que outras pessoas preferiam manter escondidas.
Hoje, Luna continua observando Belo Horizonte tanto pelas ruas quanto pelas redes. Para ela, a cidade é apenas mais um sistema. E todo sistema possui alguma porta esquecida.
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